Neste corpo, já não cabe mais.
30 janeiro 2012
22 dezembro 2011
15 dezembro 2011
Ma Moses
vou dar um tempo de mim
vou até a esquina do quarto
botar a cabeça pra fora
espremer os olhos
que dormiram um inverno
e gritar
do fundo das minhas pálpebras;
parece que agora a voz vai
serei louca
serei trôpega
serei outra
serei roupa velha
gente velha
cadarço desamarrado
copo vazio
touca de banho
serei pochete e chiclete
quem sabe periguete?
usarei salto alto
comprarei cigarros
tecerei calvários
construirei macas
ignorarei peças
amassarei flores
distribuirei mágoas
darei dores
darei de ombros
darei pra escombros...
vou dar um tempo de mim
abandonar a janela e caminhar
traquear e sorrir como se não fosse comigo
acariciar peixe morto na peixaria
ser estranha e velha
antes, vou enfiar a cabeça dos vizinhos
na TV ligada 24h, há duas semanas, no mesmo canal
pro globo inteiro ouvir
depois, e sempre,
beijar a boca de Hilda Hilst
que repousa numa linda fronha com rendas francesas.
vou até a esquina do quarto
botar a cabeça pra fora
espremer os olhos
que dormiram um inverno
e gritar
do fundo das minhas pálpebras;
parece que agora a voz vai
serei louca
serei trôpega
serei outra
serei roupa velha
gente velha
cadarço desamarrado
copo vazio
touca de banho
serei pochete e chiclete
quem sabe periguete?
usarei salto alto
comprarei cigarros
tecerei calvários
construirei macas
ignorarei peças
amassarei flores
distribuirei mágoas
darei dores
darei de ombros
darei pra escombros...
vou dar um tempo de mim
abandonar a janela e caminhar
traquear e sorrir como se não fosse comigo
acariciar peixe morto na peixaria
ser estranha e velha
antes, vou enfiar a cabeça dos vizinhos
na TV ligada 24h, há duas semanas, no mesmo canal
pro globo inteiro ouvir
depois, e sempre,
beijar a boca de Hilda Hilst
que repousa numa linda fronha com rendas francesas.
13 dezembro 2011
telefone sem fio
as vontades
dentro de si
confusas.
não sabe
se escreve
em prosa
ou verso
se escreve
ou lê
se manda carta
ou finge quê.
não sabe o quê
não tem alguém.
lá do fundo
brotam palavras
frígidas
fracas
cruzadas
letras aleijadas pisca-piscas
que tremem o coração
letras que têm pernas
masnãoandam
que dão as mãos
mas estão
sozinhas.
l
e
t
r
a
s
cayentes
carência
demência
dormência
dormir.
que o inacabado
seja pra sempre
que o que não é
seja o que for
*outubro 2011
09 dezembro 2011
30 novembro 2011
Rio uma ausência
Bem baixinho no meu ouvido, o dia gritou por nossos corpos nus e molhados, abraçados em pé na areia, para que o mar os mirasse e ronronasse seus gemidos trôpegos.
27 novembro 2011
De cigarro e cerveja (ou a imagem e o espelho)
Dou-te um beijo
de despedida e digo
(com cara de quem quer trepar mas não pode).
Minha internet
derruba tua resposta
e me expulsa da cadeira.
No espelho, a imagem
despenteada de quem voltou
da caminhada com a cachorra
e ficou
envolta de ti ali.
Envolta de ti ali.
Sai blusa lilás
sai top cinza
sai short verde
xô, alvoroço de cores.
Descabelada, a imagem te olha
safada só de calcinha
vermelha da cor da tua cueca e
como se tu fosses espelho
sente teu bafo quente
e úmido de cigarro e cerveja
(encosta a boca mas não beija).
Em ti, sou fumaça.
Pego tua mão
trago-lhe o cheiro áspero
que me molha, encharca
e te mostro
quente e úmida
a calcinha vermelha
que me arrancas.
que me arrancas.
Em mim, és palavras.
23 novembro 2011
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