18 setembro 2012
(des)em-bolar
não era seda
era veludo
folha seca
na grama, na terra
bunda na terra
mãos distraídas
é tripa
marca-livro.
era veludo
folha seca
na grama, na terra
bunda na terra
mãos distraídas
é tripa
marca-livro.
Quando o enterro passou
enquanto ele
falava de disciplina
militar, de correção,
de espírito guerreiro,
eu cultivava o meu
caos triturando
folhas secas,
algumas aveludadas,
ignorando a roda
absorta.
falava de disciplina
militar, de correção,
de espírito guerreiro,
eu cultivava o meu
caos triturando
folhas secas,
algumas aveludadas,
ignorando a roda
absorta.
23 agosto 2012
and the dreams go to
tive um filho.
e histórias pra contar
músicas pra dançar
amigos de copo e vida
e felicidade de explodir
o peito magro.
e histórias pra contar
músicas pra dançar
amigos de copo e vida
e felicidade de explodir
o peito magro.
02 julho 2012
papel de guardanapo
sábado de tarde
o mundo caminha sem pressa,
eu vagueante
peço caneta pelos bares do terminal,
papel de guardanapo,
para não esquecer estas linhas sujas
de sangue,
para manter o cheiro
de sexo a três,
o gosto.
para que o mundo continue
caminhando sem pressa,
menos pressa, mais amor.
o mundo caminha sem pressa,
eu vagueante
peço caneta pelos bares do terminal,
papel de guardanapo,
para não esquecer estas linhas sujas
de sangue,
para manter o cheiro
de sexo a três,
o gosto.
para que o mundo continue
caminhando sem pressa,
menos pressa, mais amor.
06 junho 2012
tropelias
eu queria que mudar fosse um poema.
que as coisas se ajeitassem sozinhas
assim como palavras em verso.
que os versos fossem caixas
para onde as coisas fossem palavras.
ao invés de encaixotar, empalavrar
empilhar versos de
roupas livros sapatos colchão computador
estante bicicleta patins vasos de flor
eu queria a mudança numa sentada
numa trepada.
numa trepada.
caneta em cima de papel
letras em tropel
trôpego, por fim.
eu queria que mudar fosse um poema
de primeiro verso catarina
e último, alegria.
01 junho 2012
despreenchimentos
quando tudo
é despedida e desassossego
e a casa
sendo desfeita
vai refazendo lembranças
e lágrimas
o silêncio, eu preencho com
palavras deixadas em papéis antigos
o vazio, com
comidas inventadas
tesão, com
masturbação
a dor, com
o ar que, calculado, entra e sai dos pulmões
tristeza, com
Hypericum perforatum, a tal erva-de-são-joão
e para a solidão
eu tenho saudades.
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