28 janeiro 2011

vinha com uma mão no pau, a outra na garrafa, cambaleante, balbuciando alto “oh, meu deus! meu deus!”. Era só mais um bêbado fiel qualquer, antes de continuar: “ô, meu deus, não me deixa cair as calças!”

12 janeiro 2011

amarmarandar

do décimo quarto andar
a casa grita assovios
pelas frestas esquecidas
e o bichano invisível
resmunga cada pisão no rabo

do mar
o vento traz
o ensaio da escola de samba
que balança como copa
de mangueira despenteada

do verbo amar
meu coração ressona só
e muito bem acompanhado.

26 dezembro 2010

barateando

a barata está ali
meio tonta
remoendo o veneno
tentando entender
o que acontece
a sua volta

a menos de dez metros
cá estou
remoendo o meu veneno
tentando entender
o que acontece
aqui dentro.

20 dezembro 2010

19 dezembro 2010

vibrou

no outro dia
acordou e não lavou as mãos.
queria guardar consigo
o cheiro do sexo
da noite anterior
dos orgasmos múltiplos
solitários e bonitos.

14 dezembro 2010

13 dezembro 2010

barraca de três letras

essas pontinhas de chuva na janela
me perfuram toda
e a água que eu ainda não chorei
escorre levando teu nome
que passou o final de semana
acampado dentro de mim.

06 dezembro 2010

dia cheio
de um vazio
cheio de tudo.

sim, ando meio cheia de tudo.