tive um filho.
e histórias pra contar
músicas pra dançar
amigos de copo e vida
e felicidade de explodir
o peito magro.
23 agosto 2012
02 julho 2012
papel de guardanapo
sábado de tarde
o mundo caminha sem pressa,
eu vagueante
peço caneta pelos bares do terminal,
papel de guardanapo,
para não esquecer estas linhas sujas
de sangue,
para manter o cheiro
de sexo a três,
o gosto.
para que o mundo continue
caminhando sem pressa,
menos pressa, mais amor.
o mundo caminha sem pressa,
eu vagueante
peço caneta pelos bares do terminal,
papel de guardanapo,
para não esquecer estas linhas sujas
de sangue,
para manter o cheiro
de sexo a três,
o gosto.
para que o mundo continue
caminhando sem pressa,
menos pressa, mais amor.
06 junho 2012
tropelias
eu queria que mudar fosse um poema.
que as coisas se ajeitassem sozinhas
assim como palavras em verso.
que os versos fossem caixas
para onde as coisas fossem palavras.
ao invés de encaixotar, empalavrar
empilhar versos de
roupas livros sapatos colchão computador
estante bicicleta patins vasos de flor
eu queria a mudança numa sentada
numa trepada.
numa trepada.
caneta em cima de papel
letras em tropel
trôpego, por fim.
eu queria que mudar fosse um poema
de primeiro verso catarina
e último, alegria.
01 junho 2012
despreenchimentos
quando tudo
é despedida e desassossego
e a casa
sendo desfeita
vai refazendo lembranças
e lágrimas
o silêncio, eu preencho com
palavras deixadas em papéis antigos
o vazio, com
comidas inventadas
tesão, com
masturbação
a dor, com
o ar que, calculado, entra e sai dos pulmões
tristeza, com
Hypericum perforatum, a tal erva-de-são-joão
e para a solidão
eu tenho saudades.
17 maio 2012
29 abril 2012
sô qualqué coisa que sofro
pra ele que foi jeca. e continua, diz.
eu queria te escrevêpra dizê que quero sê tua
toda tua.
e que meus verso te fosse atitude.
porque é.
palavras também é.
e queria escrevê bonito
mas eu tô ruim da cabeça.
mesmo ansim
eu vô prum samba
e queria te chamá.
eu queria que ocê me quisesse
preu podê te conhecê mió.
prometo lavá, passá e cozinhá.
e te fazê mais ri do que chorá.
19 abril 2012
Deixar ir
Uma injeção prontinha entrando na veia. Rápida e indolor. Ânimo para prepará-la, não existe. Quer o fácil. De difícil, já basta a vida. Morrer não pode ser também tão complicado. Quer o simples. Não a dor. Dor, já basta a de viver. Morrer, sem ofender ninguém. Quer aquilo que não fazem os que vivem. Ofendem. Abandonam. Cada um segue seu curso. Cada um cercado da própria solidão. Do próprio abandono. Da própria ofensa. Resignados em si. Assim se sobrevive. A tela do computador é o escudo. Estar ao lado mas ter um dia cheio é a escusa. Não é um, são vários. Morrer, morrer, morrer. Poupar os outros de um martírio inútil. Poupá-los de ouvir. De aporrinhações. De choramingos. Deixar-se ir. Calar-se à força, já que o desespero não cala, engatilha. Morrer gritando: abrace o morto, tanto quanto você não abraçou em vida.
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